sábado, 21 de setembro de 2013

Se eu morresse amanhã

Se eu morresse amanhã...
Pasárgada não conheceria.
Mais amor não desenvolveria.
Para os filhos a idolatria.
As filhas emocionaria.
À esposa magoaria.
Porque ir antes de mim ela queria.

Se eu morresse amanhã...
Dos amigos eu pediria
No velório uma última companhia.
Brindes como se estivéssemos na tequilaria
Sem receios de expressar alegria
Cientes de que na próxima estação os esperaria.

Se eu morresse amanhã...
Minha fortuna para trás deixaria
Mas minhas dívidas também compartilharia.
Entre tantos, o gerente do banco mais se ressentiria
Pois o meu sangue ele não mais teria.

Se eu morresse amanhã...
Uma carta hoje escreveria
De um momento de lucidez a fotografia.
Sem traumas ou saudades deste mundo eu partiria.
Como bom artista inacabada esta obra deixaria
Porque sei que se de mil anos dispusesse
A perfeição nunca alcançaria.

Se eu morresse amanhã...
Muitos companheiros de jornada reencontraria.
E muitos outros aqui deixaria.
E essa marcha da vida assim continuaria
Independente se nós morrêssemos de tristeza ou de alegria.

Daniel.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Mel

 

Quero extrair o mel da sua flor
e através do êxtase do nosso furor
alimentar mais que o meu calor
fazer o frio esmaecer
a escuridão desvanecer
o sono da consciência enfraquecer
a memória do espírito esclarecer
desintegrando este torpor
curando dos corpos a causa da dor
estimulando a vontade para seu árduo labor
como meio de vida a elaboração do amor
no laboratório da secreta alquimia
polindo pacientemente a opaca Sophia
consolidando com o melhor cimento
os frutos do auto-conhecimento.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Entre Tigres e Bodes

Caminhando por entre Tigres.
Tigres e Tigresas.
Tigresas e seus filhotes.
Tigres novos.
Tigres velhos.
Tigres grisalhos.
Tigres bebês.
Tigres que se crêem bodes.
Tigres que querem ser como os bodes.
Tigres que não sabem que não são cabrios.
E me vi como o Daniel, caminhando por entre Tigres vestidos de Bodes fingindo-se Leões.
Mas ainda não acordei. 


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Vida, Morte e Fisiologia



"É difícil de acreditar, mas os organismos vivos não estão em equilíbrio com o meio. Somente a morte e a decomposição restabelecem o equilíbrio.

Durante o nosso crescimento e desenvolvimento a energia dos alimentos é empregada na construção de moléculas complexas e na concentração de íons e substâncias no interior de nossas células. Essas substâncias complexas não estão disponibilizadas em abundância na natureza. Obtê-las e armazená-las é tarefa difícil e dispendiosa. E além disso, é necessário que nós matemos alguma forma viva. 

Não fazemos fotossíntese!

Quando o organismo morre, ele perde a capacidade de obter energia a partir dos alimentos. Sem energia no interior das células, elas não podem mais manter gradientes de  concentração e, assim, os íons e substâncias retornam ao ambiente. 

Viver é lutar contra o retorno, tentamos com todas as forças reter em nós algo que não nos pertence. 

Tomar emprestado foi concedido pela natureza e, mais cedo ou mais tarde, teremos que devolver.

Morrer é então restabelecer o equilíbrio. É devolver uma concessão temporária. Permitindo que outro organismo nasça e desequilibre, e morra mais uma vez para voltar a equilibrar.

Logo, é fácil entender porque morremos.

Morremos para outro poder viver!

Não somos fim, somos apenas meio!"

Fonte: Blog do Dr. Daniel César. http://www.drdanielcesar.com.br/2008/09/vida-e-morte.html

sábado, 4 de maio de 2013

Plexo com Nexo


É bom e normal.
Tudo muito natural.
Por vezes Animal.
Quase sempre Tântrico.
Intenso e Cósmico.
Algo Ilógico.
Mais que Fisiológico.
Fogo da Paixão
que dispara o Coração.
Interna Revolução.
Para o corpo ultra-sensação.
Para a alma alimentação.
Do espírito a preparação.
Integração do Plexo.
Vê no outro seu reflexo.
Sem complexo.
Nem sempre entende o nexo.
Em nada paradoxo.
Aceita ser ortodoxo.
Consome-se a Catexia
através do clímax da Secreta Filosofia
Até que se liberta o mestre de Sabedoria.

Daniel.


(*) Foto do artista e ilustrador James R. Eads. (Pinterest).
Atualizado em 24.03.2018.